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Argalji: fazer a partir dos limites, criar a partir da identidade

POR Natalie Schiaverano


A designer brasileira que transformou as restrições de uma marca independente no coração da sua linguagem criativa.


Há designers que chegam à moda pelas passarelas, pelas revistas, pelo brilho das vitrines. E há outras que chegam de dentro de uma fábrica, rodeadas pelo som das máquinas de costura, do cheiro do tecido e do gesto preciso de mãos que sabem fazer. A criadora por trás da Argalji pertence a esse segundo grupo — e isso muda tudo.

Criada em uma confecção familiar marcada pela herança de um avô alfaiate libanês, sua ligação com o ofício é quase genética. "Havia algo naquele universo que me atraía naturalmente", lembra. Esse laço com o avô — uma cumplicidade especial, marcada pelo aperto de mão que ele reservava para ela — acabou traçando, sem que ela soubesse na época, o mapa do seu próprio caminho: modelista, costureira, fundadora de uma marca que hoje desafia os moldes da indústria.


"Em vez de negar as limitações de uma marca independente como um obstáculo, aprendi a abraçá-las e transformá-las em parte do processo criativo."


Argalji: hacer desde los límites, crear desde la identidad


La diseñadora brasileña que convirtió las restricciones de una marca independiente en el corazón de su lenguaje creativo.


Hay diseñadoras que llegan a la moda por las pasarelas, por las revistas, por el brillo de las vidrieras. Y hay otras que llegan desde adentro de una fábrica, rodeadas del sonido de las máquinas de coser, del olor a tela y del gesto preciso de manos que saben hacer. La creadora detrás de Argalji pertenece a ese segundo grupo, y eso lo cambia todo.


Criada en una confección familiar con herencia de un abuelo sastre libanés, su vínculo con el oficio es casi genético. "Había algo en ese universo que me atraía naturalmente", recuerda. Ese lazo con su abuelo —con quien compartía una complicidad especial, marcada por el apretón de manos que él reservaba para ella— terminó trazando, sin que ella lo supiera entonces, el mapa de su propio camino: modelista, costurera, fundadora de una marca que hoy desafía los moldes de la industria.


"En vez de negar las limitaciones de una marca independiente como un obstáculo, aprendí a abrazarlas y transformarlas en parte del proceso creativo."


Argalji: creating from limits, building from identity


The Brazilian designer who turned the constraints of an independent brand into the very heart of her creative language.


Some designers come to fashion through runways, magazines, and glittering shop windows. Others arrive from inside a factory, surrounded by the hum of sewing machines, the smell of fabric, and the precise gestures of hands that truly know how to make. The creator behind Argalji belongs to that second group — and that changes everything.

Raised in a family garment workshop shaped by the legacy of a Lebanese tailor grandfather, her connection to the craft is almost genetic. "There was something in that universe that naturally drew me in," she recalls. That bond with her grandfather — a special complicity marked by the handshake he reserved for her alone — ended up mapping, without her knowing it then, the course of her own path: pattern-maker, seamstress, founder of a brand that today challenges the molds of the industry.


"Instead of seeing the limitations of an independent brand as an obstacle, I learned to embrace them and turn them into part of the creative process."




A Argalji nasceu, entre outras coisas, da escassez. Sem capital para investir em matéria-prima premium, a designer trabalhou com o que tinha ao redor: espumas, elásticos, tecidos de lingerie — os mesmos insumos que circulavam pela confecção familiar. Longe de ser uma limitação estética, esse ponto de partida se tornou uma escola e uma assinatura. "Esses desafios me ensinaram a perceber os materiais de forma diferente, a buscar soluções criativas e a transformar restrições em oportunidades", explica. O resultado é uma identidade visual que faz do processo o seu próprio protagonista, onde a espuma não se esconde, mas ocupa o centro da cena.


Essa transparência criativa foi também o que construiu sua comunidade. Desde o início, a marca não comunicou apenas o produto final, mas o caminho percorrido para chegar a ele: os moldes, os erros, os ajustes, os testes. Uma narrativa do fazer que ressoou com um público que buscava algo além da estética — queria entender o que existe por trás de uma peça de moda.


Depois de mais de 20 anos na indústria, a Argalji estreou na Rio Fashion Week com a coleção Moldar — um nome que diz tudo.

A estreia representou muito mais do que um desfile. Foi o reconhecimento de décadas de construção silenciosa e persistente. E também um sinal de que esse trabalho tem algo a dizer a uma indústria que, cada vez mais, busca sentido na origem das coisas.


Olhando para o futuro, a visão é tão reflexiva quanto o próprio processo criativo: crescer com cuidado, estruturar a marca sem perder sua essência, abrir-se a novos mercados sem abrir mão da autoria.

A Argalji não é apenas uma marca de moda brasileira. É uma forma de entender o design a partir da honestidade do processo, da herança das mãos que ensinaram e da coragem de quem escolhe construir de forma diferente. E nesse fazer autêntico, encontra seu lugar mais sólido.


Olhando para o futuro, a visão é tão reflexiva quanto o próprio processo criativo: crescer com cuidado, estruturar a marca sem perder sua essência, abrir-se a novos mercados sem abrir mão da autoria.

A Argalji não é apenas uma marca de moda brasileira. É uma forma de entender o design a partir da honestidade do processo, da herança das mãos que ensinaram e da coragem de quem escolhe construir de forma diferente. E nesse fazer autêntico, encontra seu lugar mais sólido.


Esa transparencia creativa fue también lo que construyó su comunidad. Desde el principio, la marca no comunicó solo el producto terminado sino el camino recorrido para llegar a él: los patrones, los errores, los ajustes, las pruebas. Una narrativa del hacer que resonó con un público que buscaba algo más que estética: quería entender qué hay detrás de una pieza de moda.

Después de más de 20 años en la industria, Argalji debutó en el Rio Fashion Week con la colección Moldar — un nombre que lo dice todo.

El debut representó mucho más que un desfile. Fue el reconocimiento a décadas de construcción silenciosa y persistente. Y también una señal de que este trabajo tiene algo que decirle a una industria que, cada vez más, busca sentido en el origen de las cosas.

De cara al futuro, la visión es tan reflexiva como el propio proceso creativo: crecer con cuidado, estructurar la marca sin perder su esencia, abrirse a nuevos mercados sin sacrificar la autoría.

Argalji no es solo una marca de moda brasileña. Es una forma de entender el diseño desde la honestidad del proceso, desde la herencia de las manos que enseñaron y desde la valentía de quien elige construir diferente. Y en ese hacer auténtico, encuentra su lugar más sólido.


Argalji was born, in part, from scarcity. Without capital to invest in premium materials, the designer worked with what was around her: foam, elastic, lingerie fabrics — the same materials that moved through the family workshop. Far from being an aesthetic limitation, that starting point became both a school and a signature. "Those challenges taught me to perceive materials differently, to seek creative solutions, and to turn restrictions into opportunities," she explains. The result is a visual identity that makes the process itself the protagonist, where foam isn't hidden but placed at center stage.


That creative transparency was also what built her community. From the beginning, the brand communicated not just the finished product but the journey taken to get there: the patterns, the errors, the adjustments, the trials. A narrative of making that resonated with an audience looking for more than aesthetics — they wanted to understand what lies behind a piece of fashion.

After more than 20 years in the industry, Argalji made its debut at Rio Fashion Week with the collection Moldar — a name that says it all.

The debut meant far more than a runway show. It was recognition for decades of quiet, persistent building. And a signal that this work has something to say to an industry that increasingly seeks meaning in the origin of things.

Looking ahead, the vision is as reflective as the creative process itself: grow carefully, build structure without losing essence, open to new markets without sacrificing authorship.

Argalji is not just a Brazilian fashion brand. It is a way of understanding design through the honesty of process, through the legacy of hands that taught, and through the courage of someone who chooses to build differently. And in that authentic making, it finds its most solid ground.




Entrevista exclusiva — Em suas próprias palavras


— Como a herança do seu avô alfaiate libanês influenciou sua forma de entender a moda?Cresci em uma fábrica, rodeada por pessoas fazendo. Costurando, cortando, embalando. Sempre com a mão na massa. De alguma forma, isso entrou em mim enquanto eu crescia, ou talvez já estivesse no meu sangue. Havia algo naquele universo que me atraía naturalmente. Eu também tinha uma conexão especial com meu avô, diferente da que ele tinha com os outros netos. Ele brincava comigo apertando minha mão. Naquela época, eu não imaginava que um dia seguiria um caminho tão próximo ao dele, me tornando também modelista e costureira.


— Por que você decidiu trabalhar com materiais como a espuma de forma tão visível e protagonista?


Minha família tem uma confecção de lingerie, então esses tecidos sempre fizeram parte do meu universo. Quando comecei a trabalhar na fábrica, eram justamente os materiais que eu tinha à disposição para praticar e experimentar na modelagem. Como marca independente, eu não tinha condições de investir em matéria-prima. Trabalhei com o que estava ao meu redor. Aos poucos, fui explorando as possibilidades desses materiais, aprendendo suas características e descobrindo maneiras de executá-las dentro das minhas limitações. Esses desafios acabaram se tornando uma grande escola. Foram eles que me ensinaram a percepção dos materiais de forma diferente, a buscar soluções criativas e a transformar restrições em oportunidades. Foram essas limitações que moldaram a identidade do meu trabalho e me levaram a criar peças cada vez mais inovadoras.


— Você sente que a Argalji representa uma nova forma de fazer moda na América Latina?


Acredito que essa seja uma forma autêntica. Fazer algo impactante a partir de uma estrutura tão pequena. Em vez de negar as limitações de uma marca independente como um obstáculo, aprendi a abraçá-las e transformá-las em parte do processo criativo. Uma marca que traz a atenção para o processo, revelando a dedicação que existe por trás de uma peça.


— O que significou para você estrear no Rio Fashion Week com a coleção Moldar?


Essa oportunidade representa uma grande conquista para mim. Trabalho com moda há mais de 20 anos e, ao longo dessa trajetória, passei por diferentes fases e desafios. Construir um caminho independente exige persistência diária. Por isso, esse reconhecimento tem um significado muito especial. Ele me dá ainda mais força para continuar acreditando no trabalho que venho construindo ao longo dos anos. Essa oportunidade me faz acreditar de que este trabalho tem algo a dizer e pode contribuir para uma indústria da moda mais criativa e consciente, valorizando a arte do fazer, os processos e as pessoas envolvidas na execução.


— Sua comunidade cresceu de forma muito orgânica. Como você descreve as pessoas que se identificam com a Argalji?


Quando descobri a modelagem e me apaixonei pelo processo, senti vontade de mostrar a beleza que existe por trás de uma peça. O desenvolvimento, os testes, os erros, os ajustes e todas as etapas que fazem parte da criação. De forma muito natural, comecei a comunicar através do processo. À medida que eu desenvolvia as peças, compartilhava também o caminho percorrido para construí-las. Isso acabou atraindo pessoas interessadas não apenas no produto final, mas no que existe por trás dele. Percebi que, quanto mais me dedicava ao desenvolvimento do produto, mais interessante ele se tornava, e assim, mais a marca se fortalecia. A identidade da marca foi sendo construída justamente nessa valorização do fazer, da experimentação e da transparência dos processos criativos.


— Qual é o próximo passo da Argalji em nível regional e internacional?


Um dos meus principais objetivos é estruturar melhor a marca como empresa, organizando processos e construindo uma base sólida que permita seu crescimento de forma sustentável. Ao longo dos anos, estive profundamente envolvida em todas as etapas criativas do trabalho. Agora, sinto que é o momento de dedicar mais atenção ao desenvolvimento da empresa, criando uma estrutura capaz de sustentar uma expansão sem comprometer aquilo que considero mais importante: a criação. Quero preparar a marca para alcançar novos mercados, estabelecer novas parcerias e estar aberta às oportunidades que possam surgir. Meu objetivo é crescer com cautela, preservando a identidade autoral da marca e os valores que a construíram até aqui.



— ¿Cómo influyó la herencia de tu abuelo sastre libanés en tu forma de entender la moda?


Crecí en una fábrica, rodeada de personas haciendo. Cosiendo, cortando, embalando. Siempre con las manos en la masa. De alguna manera, eso entró en mí mientras crecía, o quizás ya estaba en mi sangre. Había algo en ese universo que me atraía naturalmente. También tenía una conexión especial con mi abuelo, diferente a la que él tenía con los otros nietos. Jugaba conmigo apretándome la mano. En ese momento, no imaginaba que algún día seguiría un camino tan cercano al suyo, convirtiéndome también en modelista y costurera.


— ¿Por qué decidiste trabajar con materiales como la espuma de forma tan visible y protagónica?


Mi familia tiene una confección de lencería, así que esas telas siempre formaron parte de mi universo. Cuando empecé a trabajar en la fábrica, eran justamente los materiales que tenía a disposición para practicar y experimentar en el patronaje. Como marca independiente, no tenía condiciones de invertir en materia prima. Trabajé con lo que estaba a mi alrededor. Poco a poco, fui explorando las posibilidades de esos materiales, aprendiendo sus características y descubriendo formas de ejecutarlos dentro de mis limitaciones. Esos desafíos terminaron convirtiéndose en una gran escuela. Fueron ellos quienes me enseñaron a percibir los materiales de manera diferente, a buscar soluciones creativas y a transformar restricciones en oportunidades. Fueron esas limitaciones las que moldearon la identidad de mi trabajo y me llevaron a crear piezas cada vez más innovadoras.


— ¿Sentís que Argalji representa una nueva forma de hacer moda en América Latina?


Creo que esta es una forma auténtica. Hacer algo impactante desde una estructura tan pequeña. En lugar de negar las limitaciones de una marca independiente como un obstáculo, aprendí a abrazarlas y transformarlas en parte del proceso creativo. Una marca que pone la atención en el proceso, revelando la dedicación que existe detrás de una pieza.


— ¿Qué significó para vos debutar en el Rio Fashion Week con la colección Moldar?


Esta oportunidad representa un gran logro para mí. Trabajo en moda hace más de 20 años y, a lo largo de ese recorrido, pasé por diferentes etapas y desafíos. Construir un camino independiente exige persistencia diaria. Por eso, este reconocimiento tiene un significado muy especial. Me da aún más fuerza para seguir creyendo en el trabajo que vengo construyendo a lo largo de los años. Esta oportunidad me hace creer que este trabajo tiene algo que decir y puede contribuir a una industria de la moda más creativa y consciente, valorando el arte del hacer, los procesos y las personas involucradas en la ejecución.


— Tu comunidad creció de forma muy orgánica. ¿Cómo describís a las personas que se identifican con Argalji?


Cuando descubrí el patronaje y me enamoré del proceso, sentí ganas de mostrar la belleza que existe detrás de una pieza. El desarrollo, las pruebas, los errores, los ajustes y todas las etapas que forman parte de la creación. De manera muy natural, empecé a comunicar a través del proceso. A medida que desarrollaba las piezas, compartía también el camino recorrido para construirlas. Eso terminó atrayendo a personas interesadas no solo en el producto final, sino en lo que existe detrás de él. Me di cuenta de que cuanto más me dedicaba al desarrollo del producto, más interesante se volvía, y así, más se fortalecía la marca. La identidad de la marca fue construyéndose justamente en esa valorización del hacer, de la experimentación y de la transparencia de los procesos creativos.


— ¿Cuál es el próximo paso de Argalji a nivel regional e internacional?


Uno de mis principales objetivos es estructurar mejor la marca como empresa, organizando procesos y construyendo una base sólida que permita su crecimiento de forma sostenible. A lo largo de los años, estuve profundamente involucrada en todas las etapas creativas del trabajo. Ahora siento que es el momento de dedicar más atención al desarrollo de la empresa, creando una estructura capaz de sostener una expansión sin comprometer lo que considero más importante: la creación. Quiero preparar la marca para alcanzar nuevos mercados, establecer nuevas alianzas y estar abierta a las oportunidades que puedan surgir. Mi objetivo es crecer con cautela, preservando la identidad autoral de la marca y los valores que la construyeron hasta aquí.



— How did the legacy of your Lebanese tailor grandfather influence your understanding of fashion?


I grew up in a factory, surrounded by people making things. Sewing, cutting, packaging. Always hands-on. Somehow, that got into me as I grew up — or maybe it was already in my blood. There was something in that universe that naturally drew me in. I also had a special connection with my grandfather, different from the one he had with his other grandchildren. He would play with me by squeezing my hand. Back then, I never imagined that one day I would follow a path so close to his, becoming a pattern-maker and seamstress myself.


— Why did you decide to work with materials like foam in such a visible and leading role?


My family runs a lingerie manufacturing business, so those fabrics were always part of my world. When I started working at the factory, they were precisely the materials I had available to practice and experiment with in pattern-making. As an independent brand, I didn't have the means to invest in raw materials. I worked with what was around me. Gradually, I explored the possibilities of those materials, learned their characteristics, and discovered ways to work with them within my limitations. Those challenges ended up becoming a great school. They taught me to perceive materials differently, to seek creative solutions, and to turn restrictions into opportunities. It was those very limitations that shaped the identity of my work and led me to create increasingly innovative pieces.


— Do you feel that Argalji represents a new way of making fashion in Latin America?


I believe this is an authentic way. Creating something impactful from such a small structure. Rather than treating the limitations of an independent brand as an obstacle, I learned to embrace them and transform them into part of the creative process. A brand that brings attention to the process itself, revealing the dedication that exists behind each piece.


— What did it mean to you to debut at Rio Fashion Week with the Moldar collection?


This opportunity represents a major achievement for me. I have been working in fashion for over 20 years and, throughout that journey, I have gone through different phases and challenges. Building an independent path requires daily persistence. That is why this recognition holds a very special meaning. It gives me even more strength to keep believing in the work I have been building over the years. This opportunity makes me believe that this work has something to say and can contribute to a more creative and conscious fashion industry — one that values the art of making, the processes, and the people involved in execution.


— Your community grew very organically. How would you describe the people who identify with Argalji?


When I discovered pattern-making and fell in love with the process, I felt the urge to show the beauty that exists behind a piece. The development, the tests, the mistakes, the adjustments — all the stages that are part of creation. Very naturally, I began communicating through the process. As I developed pieces, I also shared the journey taken to build them. That ended up attracting people interested not just in the final product, but in what lies behind it. I realized that the more I dedicated myself to product development, the more interesting it became — and so the brand grew stronger. The brand's identity was built precisely around that appreciation for making, for experimentation, and for transparency in creative processes.


— What is the next step for Argalji at a regional and international level?


One of my main goals is to better structure the brand as a company — organizing processes and building a solid foundation that allows it to grow sustainably. Over the years, I have been deeply involved in every creative stage of the work. Now I feel it is time to dedicate more attention to the development of the business, creating a structure capable of supporting expansion without compromising what I consider most important: the creation itself. I want to prepare the brand to reach new markets, establish new partnerships, and remain open to opportunities that may arise. My goal is to grow with caution, preserving the brand's authorial identity and the values that have built it to this point.

 
 
 

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